quarta-feira, 27 de junho de 2012

EDUCAÇÃO NÃO É SÓ MATERIAL DIDÁTICO



Todos os dias reflito em como o papel do professor está amarelando...com o tempo, com a postura e infelizmente com as decisões dos governos. O professor é visto como um "mal necessário". "Uma classe que não é fácil de lidar." , segundo comentários ouvidos recentemente...Mas na verdade o que mais percebo é que é uma classe cansada! Cansada de acreditar , cansada de trabalhar, cansada de receber obrigações maiores do que as que constam nos PCN´s( Parâmetro Curricular Nacional) e Estatutos. O panorama é de uma classe que quando requisitada a opinar, não sabe mais como fazer? Se perde, se confunde, porque está tão assoberbada com as tarefas, com a burocracia, com o cronograma, que não sabe mais elencar as prioridades da situação. E isso não os torna culpados, muito pelo contrário, os torna reféns.Reféns dos superiores, das diretorias, das secretarias e de tantos outros órgãos que enxergam a educação como apostilados, carteiras, uniformes e merenda. Resumem simplesmente assim: Se tem alguém para estar na sala quando o aluno chegar, já é aula dada. E infelizmente a maioria dos professores acabam com o tempo,se enxergando assim também. Gosto muito de citar analogias e vou me remeter à uma especificamente que diz que quando o sapo é colocado numa água fervente ele pula de imediato, contudo se for colocado em uma água temperatura ambiente e aquecida lentamente, ele morre cozido. Somos assim, e em especial os professores que ficam tanto tempo sendo "afogados" pelo sistema  e não percebem como a água esta fervendo, e nem se animam a dar mais um movimento se quer. Então nos tornamos a classe desejável para qualquer administração. Aquela que concorda com tudo, que se cala diante de tudo, que tem medo de questionar, de opinar, de não aceitar. Ouço reclamações de insatisfações constantemente, e penso: " Poxa, diga isso. Faça-se ouvido!" Porque eu não concordo com tudo, e se não concordo , não concordo e pronto. Digo, explano, me exponho, porque na verdade estou satisfeita com a minha condição de professora, com o lugar que escolhi para trabalhar , com a minha postura. Por isso tenho tranquilidade de dizer o que penso, e gostar de algumas coisas e não gostar de outras. Estou segura disso. Amo cada um dos professores inestimavelmente. Admiro cada um pela qualidade que tem, pela seriedade que vejo, pela incansável disposição. E sonho com o dia que cada um se enxergará dessa forma também, e assim iremos nos ver unidos, juntos e valorizados por nós mesmos, para estender essa valorização para os demais. Educação se faz assim, com pessoas, profissionais valorizados, respeitados e cuidados. As estruturas só facilitam a educação, não a cria propriamente. Vamos pensar nisso?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

VAMOS CORRIGIR OLHANDO PARA FRENTE?

Estive pensando essa semana que professor é uma das coisas mais fascinante que existe. Algo a ser pesquisado mesmo...Somos tão árduos, assíduos, apaixonantes e apaixonados, dinâmicos, ativos e contrastantemente excessivamente subordinados. Em nossas aulas de história expomos a ditadura militar e enaltecemos a democracia. Contudo no nosso dia a dia, vivemos a ditadura subliminar sem perceber.Daí conclui por mim mesma, que o grande mal é que corrigimos provas e textos demais. Estamos por muito tempo de cabeça baixa, compenetrados nas atividades e produções, que acabamos nos acostumando a viver assim...como se a dizer sempre : Sim Senhor! Então aparece uma determinação do governo , aumentando sua carga de trabalho.Nós com a cabeça abaixada já estamos dizendo sim! Depois uma determinação da secretaria tirando um benefício, e nós dizemos: Sim Senhor! Resolvem mudar o plano de carreira e só a nossa categoria se prejudica com isso, e nós dizemos :Sim Senhor! Dentro da escola nos falam que vamos ter que dar conta, seja do aluno , seja da matéria, seja do documento que chega atrasado, e nós dizemos: Sim Senhor!! Não existe a democracia que insistimos em expor em nossas aulas, e até em vivenciar na nossa sala. É como se a sala de aula fosse um planeta isolado desse sistema. Lá dentro discutimos com nossos alunos o que é melhor para a sala, somos flexíveis sobre quase todas as atividades, criamos um clima de acomodação e auto estima para que os alunos possam participar de todas as disciplinas...e quando fechamos a porta dela, e adentramos os corredores ou outros espaços da escola essa democracia não existe. O mais irônico é que dentro da sala esse clima democrático traz resultados maravilhosos. Alunos que se sobressaem, produções de textos riquíssimas e bem posicionadas, opiniões explícitas do aluno, evolução na aprendizagem, alunos com auto estima considerável, diminuição da evasão, melhora na aquisição dos conceitos, enfim uma sala feliz e com resultados. Então parece que esse clima funciona, certo? Por que então ele não pode ser estendido para o restante da escola, da rede, do País? Quando nós professores vamos nos conscientizar que somos as formiguinhas mais numerosas de todas as categorias e ao mesmo tempo as mais desunidas também. Corrigir provas e textos é necessário. Mas acho que devemos tomar como prática que olhar o horizonte é a única forma de deixar alinhado nossos olhos e permitir que nos vejam com a cabeça erguida, e não com a suposição de que estamos sempre dizendo sim para tudo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

SOU BIPOLAR REDEFINIDA

E eu sou assim mesmo...consigo em questão de minutos sair de um estressante atendimento , chegando a ligar na ouvidoria e tudo o mais, e calmamente elogiar um outro atendente e me sentir agraciada pelo atendimento deste. Tenho a capacidade de ir aos dois extremos simultaneamente sem sofrer. Consigo dizer o quanto uma atitude é desumana , torpe, cruel sem aumentar meu tom de voz e parar para agradecer alguém que me deu a devida atenção do outro lado da linha Então fiquei pensando que isso é uma espécie de bipolaridade.Pior, achei isso lindo! Saber que sou capaz de perceber, analisar, criticar, me expressar sem me atingir me fez sentir o máximo. De onde isso veio, qual a genética contida ou de que herança recebi, não faço a menor ideia. Não sei se nasci assim ou se me tornei assim, mas o fato é que os meus dias são sempre leves. Sempre agradáveis. A minha rotina é sempre prazerosa e estou sempre feliz, sorrindo. Porque descobri que ruim não é a vida. Ruim são algumas , graças à Deus, algumas poucas pessoas. E elas são tão ruins que nem a competência de estragar meu dia elas têm. Não é o máximo? E curioso é que pessoas boas, alegres , sorridentes, felizes me animam tanto, como se houvesse uma troca, entende? Isso me alimenta, isso eu recebo. O restante eu devolvo, como um presente que não gostei. Assim aquilo que é mal fica com quem carrega, jamais comigo.E você é bipolar redefinida(o) também? 

PS. Preciso confessar que morri de saudade de escrever...pareceu uma eternidade.Ô coisa boa, ter esse cantinho!!!!!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Simplesmente Simples

Escrevo porque amo escrever, escrevo porque adoro ler. Acho que expressar o sentimento e a opinião nos faz  vivo, diferentes e menos indiferente. Não sei como seria ter a passividade de assistir apenas. Não sei como seria não sentir a inferência diante das polêmicas diárias. Assim, falo demais, escrevo demais e vivo demais. Coisas boas e ruins acontecem a todo tempo e para todos." O tempo e o acaso vem para todos" já profetizado em Eclesiaste. Hoje mesmo me surpreendi com um tratamento tão diferenciado. Uma alegria no atendimento tão absoluto que me deixou feliz, apenas por estar do outro lado da linha.Acho magnânimo que as pessoas ainda se importam em dizer " Boa tarde" de verdade, de serem gentis mesmo impossibilitadas de ver seu rosto, o que denota que elas simplesmente são simples. São boas de verdade e que tratar bem não é incômodo, antes é prazeroso. Também me surpreendi com o descaso, o deboche , o tratamento impessoal e indiferente feito frente a frente. Vivi em dois dias situações tão opostas que me fizeram refletir e questionar: O que leva uma pessoa tratar bem ou tratar mal seu semelhante? Que vantagem leva ao se indispor e qual vantagem leva ao se dispor? Quanto custa um sorriso ao responder bom dia, ou " vai tudo bem, glória a Deus!", e quanto custa uma interjeição negativa, um riso de deboche, um assovio malicioso, um descaso? Quando criança ouvia sempre que " A mesma boca que abre para falar coisas negativas, abre para dizer coisas boas".  Esse tipo de ensinamento me faz pensar antes de falar, em agradecer pela educação, em elogiar pelo atendimento, bem como de deixar claro meu desagrado e descontentamento. Consigo resumidamente dizer a pessoa o quanto ela foi benigna e se necessário o quanto ela foi maligna. Não porque sou dona da verdade. Não sou e nem tenho essa pretensão. Mas porque me posiciono , me expresso, existo e não quero guardar tudo em mim. Da mesma forma que comento sobre a má vontade e indisposição, procuro disseminar o bom atendimento ainda com mais frequência. A minha conclusão é que ser simplesmente simples implica em tratar as pessoas bem, sorrir mesmo no telefone, ouvir a outra pessoa e pensar que o problema dela poderia ser o seu. Simplesmente simples é acreditar que o dia em suas 24 horas nos dá a chance de fazer as coisas certas ou as coisas erradas com a mesma intensidade e na mesma proporção. O que eu farei com elas, é que é a verdadeira escolha. Então não vamos complicar, vamos ser simplesmente simples? 


sábado, 17 de março de 2012

SIM PARA O NÃO

Lema: DIZER SIM É PRAZEROSO , EXPERIMENTE COM MAIS FREQUÊNCIA
Polêmica:O que faz uma pessoa ter o NÃO pronto todo o tempo? Traumas? Mágoas? Indisposição?

Passo pela vida, e vejo tantos nãos. A disposição é como se dissessem Sim somente para o Não! 
Ouço:-Mãe, posso ir...?- Não!- Mas mãe....-Não! Acompanho pessoas esperando respostas sobre algo que desejam e desistirem de suas expectativas por um sonoro Não! Não pode entrar, Não pode ficar, Não posso conceder, Não podemos abrir exceção, Não aceitamos esse documento, Não fazemos isso, Não, Não, Não....Argh! Quanto NÃO. Aí fica a pergunta, será que dizer o sim é antiquado? Será que o excesso de NÃO ouvido  impede as pessoas de dizerem SIM? Outro dia quando voltávamos para nossas casas, eu e a Lú, também professora, fomos abordadas com um pedido de carona, por duas mulheres e uma criança. Era um trajeto curto, que a pé embaixo do sol de verão, era exaustivo. Nós não íamos na mesma direção, estávamos indo para outra cidade, e daria fácil para dizer NÃO. Contudo, se colocar no lugar do outro, pensar que talvez um pequeno sacrifício vá mudar o dia de uma pessoa, nós fez dizer SIM. Atrasamos dez minutos do nosso itinerário, e concedemos pelos menos uma hora a menos de caminhada, inclusive pela criança. E sabe o que ganhamos com isso? O prazer que vem do dizer SIM. SIM para as oportunidades, SIM para o que eu posso fazer, SIM para ver o sorriso do outro, SIM para que você possa assumir uma vaga , SIM para que seus filhos fiquem bem, SIM para que o outro fique feliz, SIM porque você quer brincar com seu amigo, SIM para uma nova chance, SIM deixo que você me ame, SIM vou tentar novamente, SIM porque quero SIM....Seria tão mais gostoso se as pessoas fossem mais dispostas para o SIM..Sim para Sim, e Não para o Não...
(Em especial para quem tem o poder de decidir sobre as perguntas dos outros: seus subordinados, seus filhos e etc...Vai a dica do filme: SIM SENHOR-Jim Carrey.)

terça-feira, 13 de março de 2012

REGRA DE OURO




LEMA: USE SEMPRE A REGRA DE OURO!
POLÊMICA: POSSO FALAR O QUE QUISER, PENSAR O QUE QUISER, MAS NUNCA COLHER COMO FRUTO DE MINHAS ATITUDES, O INCÔMODO EM QUEM QUER QUE SEJA.
A Regra de Ouro, cujo tema trabalho desde sempre com meus alunos, consiste em só fazer ao outro o que gostaria que fizesse comigo. Uma vez ouvi da minha irmã essa dica. Segundo essa minha irmã, que apesar de ser Áurea, não é professora(rs), é simples saber como agir, basta usar essa regrinha. Eu gostei tanto que trago para minhas salas, falo disso na convivência com meus alunos, e tem trazido frutos deliciosos. Então, face a polêmica gerada na última crônica escrita, resolvi retratar-me com a Regra de Ouro. Isso porque nunca tenho e nem tive a intenção de magoar ninguém. Acho mesmo que a liberdade de pensar esbarra na obrigatoriedade de fazer o outro se sentir bem. E se minha palavras causam desconforto, perda de sono e mal estar, eu retrato, de verdade. Porque eu já me senti magoada pelo que disseram e escreveram e desejei ardentemente que fosse retratado, explicado. Quis demasiadamente ouvir que não houve intencionalidade na fala, ou na escrita. Mas isso não aconteceu, por isso tomei a decisão de fazer diferente. E aqui vai. Quando escrevo, é um desabafo, não uma afronta. Quando exponho o que penso é uma reflexão , nunca uma ofensa. Por isso nunca, nunca, cito nomes , lugares. E sabe por quê? Porque falo do geral, não me restrinjo a um espaço físico, a uma atitude ou uma situação. Nunca é pessoal, nunca é destinado. Não vim ao mundo com a capacidade de articular as pessoas, de manipular sentimentos e sou incapaz de usar artefatos para dizer uma coisa que penso. Não sou esperta o suficiente para dizer entrelinhas , e nem para desviar o foco e ser política. Quando falo, falo. Quando escrevo, escrevo e quando penso, dá nisso. Enfim quem me conhece , mesmo que há pouco tempo vai perceber que sou intensa. Faço demais, falo demais e erro demais. Por isso devo continuar fazendo, falando e errando, porque isso faz parte de mim, me fortalece como humana que sou. Sinto que uma interpretação errada tire mérito da gente, e tudo deixa de valer a pena. Sinto que uma atitude isolada denigra sua imagem até por pessoas que te importam. Mas acho tudo válido, porque só podem gostar ou odiar você pelas suas atitudes. E como é saboroso essa liberdade de escolher se gostam ou não e de quem...Enfim fica aqui o uso da Regra de Ouro para quem se ofendeu com o artigo "Professor é Folgado", e espero do fundo do coração que esse seja adequadamente interpretado. Aha, tenho que confessar que da polêmica eu gostei...desculpe, mais uma vez!

terça-feira, 6 de março de 2012

PROFESSOR É FOLGADO!

LEMA:  PROFESSOR É POLIVALENTE, PORTANTO PODE SE VIRAR.1.png (400×380)
POLÊMICA: Se o professor se vira, o que fazem os outros?
Professor é folgado. Imaginem que ele quer ir ao banheiro durante seu horário de trabalho? Ainda mais, quer encher sua garrafa de água( que esvazia, veja o absurdo) durante o período que deveria estar na sala! Não bastasse, quer ele saber porque o aluno está faltando, e se atreve a ir na secretaria pedir para que liguem numa incidência de 3 faltas consecutivas, pode? Oras, o professor tem que se virar nos 30, digamos nas 5, né? Nas 5 horas ininterruptas que fica em sala. Beber sua água trazida na garrafa, utilizar do material que tem, programar com antecedência o que vai precisar, pedir por pensamento para que alguém separe-o, uma vez que não é de sua alçada retirar equipamentos da secretaria e/ou do almoxarifado, comunicar-se por telepatia com seus colegas de trabalho e ficar ciente de tudo que se passa na escola. Fácil, não? E alguns professores não conseguem. Insistem em fazer contato verbal, em sentir necessidades fisiológicas , em abastecer sua garrafa de água e assinar (pessoalmente) os recados, memorandos, comunicados e demais "ados" que lhe são apresentados durante o horário do intervalo. Por isso, incomoda quando precisa que fiquem 10 minutos em sua sala. Detalhe , a mesma sala onde ele permanece as 5 horas consecutivas. O olhar que resume essa fala: "Professor é folgado", consome a gente, nos desprestigia por demais, nos miniminiza frente aos nosso próprios olhos. Ainda ouvi outro dia: " Poxa, desse jeito vou ser professor!" Sabe qual foi minha resposta? "Seja. Curse uma licenciatura por no mínimo três anos, trabalhe aos finais de semana numa escola , para bancar a sua faculdade, entre numa sala por 5 horas, e leve junto uma comadre, porque ir no banheiro será um luxo que não lhe caberá mais."